Ponho as mãos em concha
fecho os olhos e espero
que me brotem dos dedos
fios de água limpida e fresca.
De olhar perdido
olho o infinito vazio
molhado pela água
que vai crescendo, espalhando
saciando o meu corpo
e a secura dos meus lábios.
Olho mas não consigo ver
apenas recordo quieta
de olhos sempre fechados
as sombras dos dias.
Imploro por algumas
migalhas de lágrimas
mas apenas posso imaginá-las
nos meus dedos enleados
pelos fios de água fresca
que por eles passam.