quinta-feira, 14 de maio de 2009

Vamos escrever uma História de Encantar?

Meus amigos e minhas amigas, gostava muito que me ajudassem a escrever uma "História de Encantar". A minha ideia é a seguinte: eu começo a escrever e depois cada um(a), acrescenta-lhe mais um bocadinho, da maneira que muito bem entender.
gostava de deixar um convite à Margarida Faro, Lady Godiva, Clarice, Lena, Teresasol,Guida T., Aníbal Meireles e Víctor. Apesar destes convites personalizados, eles são extensivos a outras pessoas que nesta história entrar. Gostava muito de vos ter por cá!

Então vamos lá começar...

Era uma vez um príncipe muito belo que vivia num Castelo muito grande, num país muito distante, lá para os lados da "Terra do Nunca". Em redor do Castelo, havia crescido uma vasta e espessa vegetação que o impedia de ter qualquer tipo de contacto com o mundo exterior, sendo que as únicas pessoas que conhecia eram os criados, a cozinheira gorda e o velho jardineiro que , aliás, o tratavam como se filho deles se tratasse. ...

Agora, retiro-me para dar lugar ao próximo contador de histórias

75 comentários :

Aníbal Meireles disse...

Olha que excelente ideia que tu tiveste!

Eu é que não me sinto muito à vontade para abrir as hostes, mas o convite é irresistível.

Porém, antes de elaborar uma parte, tenho uma questão: como é que isto vai acontecer. Imagino que agora todos estejam a escrever o mesmo pedaço que vem a seguir ao teu. Ora, assim ficas com váriás segundas partes, mas com a história inacabada.

Talvez seja melhor haver uma espécie de "Aceito o convite!", e depois arbitrares a ordem pela qual iriamos escrever, para podermos ter a oportunidade de ver como a história se está a desenvolver e podermos daí continuar o encanto :D

O que achas ?

Eu aceito o convite!

Rute disse...

Aníbal :

Acho uma óptima ideia, peço desde já a todos os convidados que respondam ao meu convite para depois se estabelecer a ordem pela qual cada um escreverá.
Aníbal, tu podes ser já o primeiro a abrir as hostes. pode ser?

1 beijinho

Rute disse...
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Aníbal Meireles disse...

Claro que pode ser! Vou já começar! Daqui a pouco já a tens aí!

Aníbal Meireles disse...

Desculpa, o browser crashou... perdi tudo! (Em casa de ferreiro, espeto de pau! Tantas vezes que te disse para escreveres à parte, e acontece-me a mim também a fazer o mesmo LOL) Amanhã escrevo outra vez, quiça com ideias diferentes.

Beijinho

Aníbal Meireles disse...

Ora cá vai, a ver se é desta :


Anos antes, os reis haviam sido expulsos do Reino por terem desviado dinheiro dos contribuintes, que serviria para cuidar da conservação do Castelo, em viagens ao México e em hedge funds tóxicos.

Assim, o príncipe, com apenas cinco anos, vê-se deixado para trás por uns pais egoístas e sem sentido de Estado. A cuidar do jovem herdeiro fica Miranda, a governanta do Castelo, com todas as habilitações e certificações para formar o príncipe e torná-lo um digno rei. Miranda é coadjuvada pelos mais sábios do reino, e por Maria Albertina, a cozinheira, também ela uma excelente mãe e habituada a lidar com as traquinices próprias da tenra idade.

Porém, nem tudo são rosas, o "Mal Necessário", alcunha atribuída ao mago do Reino, sentindo que no príncipe recaem todas as esperanças de um futuro próspero para o Reino, decide conjurar e fazer nascer um espesso manto de vegetação que o proteja até ao dia da sua maioridade, altura em que a sua formação estará completa e o próprio capaz de se defender sozinho.

Assim, a sua educação decorre resguardada de interferências externas, em especial dos seus pais, que por vezes se ouve ameaçarem regressar em surdina para influenciar negativamente o futuro Rei, inclusive tentando convencê-lo a deixá-los regressar e permanecer a seu lado.

E assim foi, durante todos os anos até à sua maioridade, o príncipe teve no Grande Castelo o seu mundo, e no pessoal a sua família, enquanto completava a sua formação.

O velho jardineiro, que mais não era do que o mago, zelava assim pela segurança do espesso manto que protegia o Castelo e por conseguinte, o Príncipe.

Vítor disse...

Olá, Rute e companhia! Contem comigo. Sempre gostei de jogar ao "cadáver esquisito".

Rute disse...

Olá Víctor

tens que me explicar essa do "Cadáver Esquisito"! As coisas que eu tenho ouvido por aqui...
Fico contente por ter mais um contador de histórias. Ficas já com o nº3 e continuas, já a seguir ao Aníbal Meireles. Pode ser?

Aníbal:

Coitado do nosso príncipe, com uma infância tão problemática, conseguirá alcançar a felicidade e superar os traumas que, com toda a certeza carrega consigo? O futuro o dirá...

Beijo e obrigada, adorei

Víctor, ou Víctor, avança, rapaz :D

Clarice disse...

Convite aceite, voltarei então mas com a inspiração que neste momento dooorrrmmmmmeeeee...

Rute disse...

Clarice

Já tenho saudades tuas! Ainda bem que apareceste para te juntares a nós. Fica atenta, és a seguir ao Víctor.

Bjinho

Vítor disse...

Aqui tendes, menina Ruthe, a minha colaboração:

O velho jardineiro-mago era um antigo seringueiro da selva amazónica, especialista em esquartejar troncos para lhes extrair a seiva, que conseguira, após anos de cruzamentos e enxertias, criar um híbrido, síntese de seringueira e sebe comum, com que povoara as redondezas do Castelo. Esta nova espécie vegetal, além de assegurar plena e satisfatoriamente a segura ocultação casulo de pedra onde se procedia à metamorfose do príncipe em rei, tinha a particularidade de prender, qual teia, todo e qualquer intruso, do mais pequeno roedor ao mais corpulento urso pardo, o que se revelara fundamental para a subsistência de quem vivia emparedado no Castelo.
A transformação das presas em requintadíssimos acepipes era, naturalmente, da responsabilidade da cozinheira gorda, mulher dotada de uma excelente mão para o tempero, a qual lhe provinha da larga experiência obtida a bordo do transatlântico Apóstolo das Índias, que longos anos cruzou o Índico e o Pacífico, até ter naufragado ao largo da Nova Guiné, onde Maria Albertina foi recolhida por uma tribo indígena e iniciada nas artes da culinária antropofágica.
Também à mesa do príncipe era servida carne humana, mas esse facto só era do conhecimento da própria cozinheira e do velho mago-jardineiro, que adorava estes pitéus – vício que lhe tinha sido incutido pelos encolhedores de cabeças com quem vivera no Brasil.
É verdade! Não só ao jovem príncipe estava vedado o conhecimento extra muros, como estes seus dois servos o estavam preparando para, um dia, devorar a humanidade.
A vida do príncipe decorria, portanto, dentro de uma normalidade muito particular. Não se sabe se pelo isolamento se pela dieta, o seu comportamento era um pouco sui generis. Com efeito, quando não estava ocupado com os seus afazeres de jovem aprendiz das artes e das letras, pegava num banco, daqueles a que os aldeãos chamam mocho, e sentava-se virado para um dos cantos do compartimento em que se encontrasse.
Enquanto o príncipe se encantava, o mundo parecia parar.


* Enquanto me chamares Víctor, chamar-te-ei Ruthe, OK?

Rute disse...

Vítor:

Desculpa lá rapaz, não me tinha ainda apercebido de que não tens o costumeiro "c" dos Víctores mais comuns.
Gostei muito da tua colaboração na nossa "História de Encantar". Começo é a pensar seriamente em mudar-lhe o título...

Clarice, oh Clarice

Aparece lá, a ver se se consegue arranjar alguma coisita um pouco mais romântica para adoçar a nossa história :D

Lady, Margarida, Lena, Teresasol, Guida, por onde andam vocês que não respondem ao meu convite?!
Vá lá ver que a coisa tem que avançar!

Beijinhos

Aníbal Meireles disse...

Rute, posso ? Obrigado!

Vítor: parti-me a rir com a tua continuação! Nota 10! (Como diriam os encolhedores de cabeças do Brasil)

Rute: e esta hein ? Com esta não contavas tu! A história ainda agora vai no início. Sabe-se lá onde o cadáver esquisito vai dançar!

Rute disse...

Aníbal e Vítor :

Acho surpreendente o desenvolvimento desta história. Estou a adorar e mortinha por ouvir mais! No final publico-a toda seguidinha, com o nome dos respectivos autores, claro.

1 beijo para cada um

Margarida Faro disse...

Não entro nesta, querida Rute.
Serei leitora assídua, sempre, mas só!

Clarice disse...

Logo à noite seguirei o caminho do Vítor (sem c, esta é para ti, Ru(h)te):)...
é que para mim, do escuro nasce a inspiração... e a noite essa tenebrosa senhora, dá conta de mim...ou sou eu que dou conta dela quando me deito à quinhentas...

logo à noite, sim? (que grande 31 menino vítor...)

Clarice disse...

Aqui vai o meu pedacinho:


E parava de facto. Cada vez que o príncipe se sentava num daqueles bancos, deixando-se encantar perdidamente… todos os habitantes do castelo se transformavam em estátuas de pedra fria e gélida, figuras tenebrosas que deixavam de poder interagir… mas que mesmo assim deambulavam-se no mal.
Cada canto possuía uma voz já identificada pelo príncipe, e a cada voz correspondia uma figura, que só os seus olhos conseguiam ver. Num dos cantos, a voz de um velho sem braços, a quem o príncipe pedia gestos impossíveis de receber… noutro canto, a voz de um bêbado de quem o príncipe ouvia palavras abandonadas e outras mil de rir e chorar por mais… noutro canto, a voz de uma mulher sem dentes que prometia conversas de escárnio e mal dizer… noutro canto ainda, um coveiro que lhe mostrava quantos corpos depois de enterrados já tinha ajudado a acordar… mas o seu canto preferido e o ultimo escolhido sempre que se sentava, era o canto da voz de uma sereia… este canto era azul e cheio de mar, e apesar de meio corpo de mulher, era a outra metade imaginada, a que o príncipe mais dava ouvidos… esta voz de sereia segredava os pecados do fundo do mar e confessava-lhe com a voz em segredo, os desejos secretos da outra metade do seu corpo… o encantamento do príncipe era cada vez maior e o seu maior desejo era entrar no mar levado por esta voz de sereia…


*menina Rute, querias romance ou pouca vergonha?:) não percebi bem por isso, nem uma coisa nem outra, as duas que ficam tão bem!

Rute disse...

Clarice

Gostei do seguimento que deste à história, a sereia talvez vá introduzir alguma animação ao enredo, será romance? Será pouca-vergonha? O tempo o dirá :D

Margarida

Não entras nesta, o não significa que não entres numa próxima, se te agradar. certo?

Beijinhos para as duas

Margarida Faro disse...

Certo, Rute. A vida tem momentos. E períodos.

Vítor disse...

Ó Rute, posso, não posso?

Boa volta, a que lhe deste, Clarice!

PRÓXIMO(A)!

Margarida Faro disse...

A próxima posso (AFINAL!) ser eu?
Vá lá, mudei de ideias, pronto, mas não é preciso estarem já a considerar-me uma "troca tintas"...

Cá vai:

D. Leonor ergueu-se de um pulo, tentando, com trejeitos apressados de mãos, desembaraçar-se do enredo escabroso que envolvia Zé Pedro, o plebeu seu noivo.
Da janela do quarto, alcantilado sobre a vila de Certas Dores, conseguia avistar o relógio da torre sineira (que marcava 3:45h da manhã), o qual, ainda há bem pouco tempo ganhara a sua carta de alforria para a vida nocturna e, todas as noites, ostentava, orgulhoso, o novo neon com que aquecia a imagem gelada das neves doreenses.
D. Leonor estivera, na quinzena anterior, no consultório do Dr. Henrique Nobre Feyo, procurando ajuda psicológica para a convivência com a relutância de seus pais relativamente ao seu casamento com Zé Pedro. Mas Nobre Feyo, instruído pela família real, havia usado de destreza argumentativa para anuviar a mente da jovem princesa e receitara-lhe um estabilizador de humor que a mantinha docemente dormente, apática e indiferente perante as decisões e opiniões que bailavam à sua volta e a seu respeito.
Agora, arrancada do descanso da noite por um pesadelo que transformava o seu amado Zé Pedro em príncipe e o mantinha refém de uma mente transtornada por gente hedionda, como a cozinheira gorda e o jardineiro mago, teve o imediato impulso de ligar ao seu amado, para se certificar de que de nada mais do que um sonho se tratava todo aquele horror existencial.
Pensava, contudo, no significado do próprio sonho, enquanto premia com segurança as teclas do seu Suzokiatel E 09, da última geração. Quereria tudo dizer que Zé Pedro não poderia nunca ser seu, apesar de ambos se desejarem ardentemente?
Zé Pedro atendeu ensonado, mas soube cumprir a instrução que recebera dos reis, cumprimento esse pelo qual lhe depositariam a recompensa de dois milhões e quinhentos mil euros: fingiu que não conhecia a voz da sua amada, a qual insistiu, intrigada e destroçada, para que ele a nomeasse - até ao momento em que Zé Pedro desligou.
D. Leonor caiu de novo no seu leito, desfeita em lágrimas confusas que lhe encharcaram toda a roupa da cama e lhe arrefeceram o corpo até aos ossos.
Zé Pedro era um jovem pintor de rua que há pouco tempo conseguira expor alguns dos seus quadros numa galeria onde D. Leonor passara uma tarde com amigas.
Encantada pelos longos cabelos lisos e castanhos aveludados de Zé Pedro e mais ainda pela sua figura bela e escultural, D. Leonor fez questão de adquirir uma obra sua e, com ela, ornamentar o seu quarto, gesto que em nada agradou a seus pais, apesar de nem terem tido conhecimento da quente troca de olhares que, nesse dia, iniciou a relação entre os jovens...
Foi uma história de encantar aquela que os dois foram vivendo, até declararem aos pais da princesa a intenção de se unirem.
Para D. Leonor estava destinado D. Ruy de Aguiar e Castro, da alta aristocracia doreense, um enfadonho economista que todos os dias presenteava D. Leonor com fartos ramos de flores de intensos cheiros, que deixavam a donzela tão enjoada quanto as suas intermináveis juras de amor eterno que acompanhavam os "bouquets".
D. Leonor acordou de vez e conseguiu um estado de lucidez que superou todos os "anestesiantes" que andava a ingerir para lhe toldarem o entendimento.
Levantou-se, firmou bem os pés no chão dos seus aposentos sem sequer se calçar, puxou, violentamente e com estrago, o seu roupão de seda do cabide, e galopou, determinada, pelos corredores que a separavam do quarto dos pais.

Rute disse...

Margarida:

Ainda bem que mudaste de ideias porque ADOREI o teu pedaço da "História de encantar". Bela volta que tu lhe deste, estou desejosa de ver como é que o próximo artista lhe vai dar seguimento... Hi, hi, hi.

Pessoal, temos aqui grandes Contadores de Histórias!!!

Lady Godiva disse...

Olá, Rute:
Como tenho andado a ler este "cadáver esquisito", gostava de conhecer o fim da história. Sugiro, portanto, que, se mais inscrições não houver, lances ao vento a intenção de uma segunda volta e que, depois de todos já terem dado o seu segundo contributo, tu própria redijas a conclusão do "encantamento" (ou do que for!).

Boa sorte e um queijo, desculpa, beijo

Vítor disse...

E eis que nos vamos aproximando do momento em que "o cadáver esquisito beberá o vinho novo".
Agora, sim, o mosaico está a compor-se: adorei a tua contribuição, Margarida!
(Já viram o que perderíamos, pessoal, se ela não tivesse participado?)
Gostei desta D. Leonor, que não me parece ser Telles de Menezes (esposa de D. Fernando) nem de Viseu (consorte de D. João II) - ambas conhecidas pelas traições perpretadas nas pessoas dos respectivos régios maridos -, "descalça vai" sei lá para onde, mas não me parece que seja "pela verdura", porque quem anda a ser traída é ela!...
Que grandes malucos somos! Estamos bem na linha dos surrealistas que baptizaram este exercício (ou eles é que estão na nossa linha?)...

PRÓXIMO(A)!

(Vá que isto está a aquecer!...)

Aníbal Meireles disse...

Rute, desculpa o atraso, é só para dizer que a "obra" está em curso! Até já!

Aníbal Meireles disse...

Ora cá vai disto:

Os reis haviam voltado a fazer das suas.

Não obstante a pujança do verde manto de seringueira híbrida consabidamente forte, virtualmente impenetrável e muito bem visto pela população em geral, por conter a palavra "híbrida", apenas deixando entrar quem autorizado pelo mago, qual Titanic, cinco dos porões do Castelo tinham sido escavados pelos próprios reis, munidos da ajuda de Dias Loureiro, que não sabia onde se meter e aproveitou a ocasião, e ainda de dois baldes de liga leve e uma enxada que os Gaiteiros de Lisboa não tinham encontrado por debaixo da baliza do Manchester United.

Os reis estavam de volta, apesar de todos os esforços do mago. Esperaram até ao anoitecer, altura em que todos habitualmente se juntavam para jogar aos dardos, e dirigiram-se sorrateiramente até aos aposentos do príncipe.

O príncipe não apreciava jogar aos dardos, preferindo antes dedicar-se à pintura de sereias, inspirado pela sua amada, e pelo facto de o reino ser uma grande ilha rodeada de água por todos os lados.

A sensibilidade humana e artística do príncipe não era portanto consêntanea com a barbaridade que o pessoal do Castelo tinha arranjado para se entreter à noite.Especialmente porque os alvos costumavam ser as Lampyris noctiluca, que se aglomeravam no relógio da torre sineira, num inusitado acto de chamamento dos machos pela noite fora, o que naturalmente perturbava o sono de todos na cidade.

Como em relação a muitas outras coisas no reino, o mago era o mentor da modalidade do jogo dos dardos, mas desta feita por um motivo que o envergonhava: era a única forma que conhecia de acabar com a única experiência que lhe tinha corrido mal. Nunca mais iria esquecer o dia em que, justamente nos húmidos porões do Castelo, criou o pirilampo 'mágico'.

Chegados aos aposentos do príncipe, e após surpresa e apreensão inicial, surge a oferta de uma avultada quantia, tendo em mente que Zé Pedro deixasse a sua amada.

Zé Pedro decidiu que era de aceitar, num acto que julgara bem reflectido, mas que seus pais não haviam percebido. O dinheiro serviria para reforçar a segurança do castelo e conseguir, de uma vez por todas, impedir que os reis voltassem a entrar. O príncipe julgava estar assim a passar o seu primeiro grande teste. A sua formação ainda não estava completa, mas estava quase, e este seria, no entendimento do príncipe, um passo decisivo.

Mas havia um "mas": Dias Loureiro também era mago e a presença dele tinha afinal dois propósitos: olhando para as paredes dos aposentos, Dias Loureiro conseguiu ver que havia um terrível segredo que o príncipe guardava. O mago não tinha competência para ver qual era exactamente o segredo - estava com os poderes sujos de ter andado de balde no túnel, mas a mera ameaça conseguiu convencer o ainda tenro príncipe. Se não aceitasse o dinheiro sem segundas intenções, o segredo seria revelado.

Ainda mal os reis tinham desaparecido, surge a D. Leonor, escoltada por noventa Eletaikozus, os assim denominados guardas do castelo, protectores do príncipe e da sua amada, nas deslocações de ambos, servindo igualmente de veículo de transmissão das mensagens escritas entre a casa onde ainda habitava a amada, fora das muralhas verdejantes do castelo, e o príncipe.

Rute disse...

Aníbal,
estive a ler a tua parte e está deliciosamente Kafkiana!!! As coisas de que tu te foste lembrar :D.
Meus queridos amigos Contadores de Histórias, a nossa(história, claro) está a ficar um espectáculo.

Vítor,
Ainda bem que não sou eu a próxima... coragem homem e avança-me com a coisa

Beijinhos para os dois

Clarice disse...

Calma Vítor nada de grandes entusiasmos... ATENÇÂO que a seguir sou eu!

Rute,isto é para ti mas também é para "outros" lerem!
Nas histórias de encantar podem existir Nenucos? e telefones de plástico? :)))

Rute disse...

Menina Clarice

Nas histórias de encantar pode entrar tudo, e a bem dizer, a prova está à vista... mas Nenucos e telefones de plástico! O que é que " a outra gente" há-de pensar? (Como dizia a minha avó). Esse tipo de bonecada nunca entrou cá em casa, mas em sendo para se pespegar com eles numa história, nunca se sabe... eu já tou por tudo :D .
Tu queres é provocar, certas e determinadas pessoas. Provoca à vontade, estás no sitio certo, amiga.

Beijinhos

Aníbal Meireles disse...

Rute, posso ? Obrigado!

Pois, pois, Clarice. Estou para ver o que vais fazer com as tuas estimações :D

Lady Godiva disse...

Quem é este príncipe?
Quem é esta amada?
E estes reis que voltaram?
São pais de D. Leonor? Ou são pais do príncipe? Ou será melhor perguntar quem é esta D. Leonor?
Se cada uma das vossas contribuições para este "romance" fosse considerada uma sequência narrativa e todas elas estivessem baralhadas (tipo puzzle), por mais surrealista, kafkiana ou coisa que o valha que seja a acção da história (?), todos concordariam em colocar esta peça a seguir à da Margarida? Reconhecem SEQUÊNCIA entre uma e outra? Eu não. Mas talvez se alguém me explicar... Ou é o surrealismo que não carece de sequência?
Bem, talvez esteja a ser precipitada e venha a ter de reconhecer que a sequência existe - ou porque ma explicam, ou porque a próxima sequência aparecerá com um brilho esclarecedor... Ou então convencem-me de que isto das sequências narrativas não é chamado para uma história (!)...

If you please!

Aníbal Meireles disse...

Rute, posso dar uma palavra à Lady ? Obrigado!

Lady, acabei de escrever aqui algo sobre o texto que enviei, mas não o vou já submeter à Rute, para não influenciar.

Já agora gostava que os outros, em especial os que escreverem as outras partes, se pronunciassem.

Rute disse...

Oh Aníbal

Mas onde é que escreveste? Se não se vê em lado nenhum, como é que os outros se podem pronunciar?!
Estou deveras intrigada!

Bjinhos

Lady Godiva disse...

Ó menina Rute, por quem é!
O que há para ler e opinar a propósito não é aquilo que o Aníbal ainda tem escondido mas sim aquilo que já pôs ao léu!!!
Vá, lê o que ele e eu escrevemos. E opina. É que estou ansiosa para levar nas orelhas..., que é o que vai acontecer, pela certa.

Aníbal Meireles disse...

Rute: quando disse "escrevi aqui" queria dizer "aqui num papel à parte".

Quando disse que gostava que os outros se pronunciassem, era sobre a questão levantada pela Lady Godiva, e não sobre o que eu escrevi e não mostrei.

O que eu escrevi e não mostrei é uma explicação ao que a Lady perguntou acerca do meu texto, mas como gostava de saber o que os outros pensam incluindo-te, Rute, sobre a questão que a Lady levantou, não te submeti o texto. Ficou aqui num ficheiro. Por enquanto.

Rute disse...

Aníbal

Há uma coisa que tens que ficar a saber de mim: Eu sou aquela que nunca percebe as anedotas... não sei se estás a ver o género?
Realmente não estava a perceber nada do que nos querias dizer! Obrigada pela explicação.
Passemos agora à questão essencial: A questão colocada pela Lady, nesta altura do 'campeonato' não me parece fazer muito sentido (sem ofensa, Lady). Estando a história em plena construção, ainda tudo é possível e tudo é permitido. Cabe a cada contador a árdua tarefa de continuar e de se 'desenrascar' com o que lhe foi deixado em herança pelo escritor anterior. O grande desafio é esse mesmo, certo?
Assim sendo,'não vamos queimar etapes' e esperemos pacientemente pelo desenrolar da história.

Lady
Acho que o que disse ao Aníbal também responde às questões colocadas por ti. Ainda não podes dizer que a sequência está ou não incorrecta ou faz ou não sentido o seguimento que o Aníbal deu ao teu pedaço da história. Penso que o que ele escreveu está dentro do contexto, surrealista, sem dúvida, mas ainda assim, dentro do contexto! Já vimos que o inesperado, o absurdo e a maluqueira surgem constantemente ao longo do enredo, mas é esta a nossa história :D . só te resta esperar pelo desenrolar dos acontecimentos e fazer um esforço para pores um bocadinho de parte esse teu lado arrumado e organizado(neste contexto, claro).

1 beijinho para os dois

Aníbal Meireles disse...

Rute: deixa estar que eu também por vezes não percebo as piadas! Ainda noutro dia não percebi uma coisa (não era piada, acho eu. Mas se calhar era, mas como não percebi, nem isso sei) que a Margarida disse no Canto do Ego e disse-o claramente.

Lady, achas que a minha parte não vem na sequência da da Margarida ? Explica lá isso um pouco melhor. Se quiseres, claro.

Eu interpretei o que tu deisseste aqui:

"Se cada uma das vossas contribuições para este "romance" fosse considerada uma sequência narrativa e todas elas estivessem baralhadas (tipo puzzle), por mais surrealista, kafkiana ou coisa que o valha que seja a acção da história (?), todos concordariam em colocar esta peça a seguir à da Margarida? Reconhecem SEQUÊNCIA entre uma e outra? Eu não."

de uma forma muito própria. Eu percebo a tua questão, mas acho que a questão não deve ser colocada exactamente nesses termos, porque pode dar azo à tua pergunta. Na minha opinião não implica que dê azo, mas PODE dar azo. E, pelos vistos, deu.

Mas já agora gostava que a Margarida, que escreveu a parte que antecede, se pronunciasse. E todos os outros!

Rute: a tua resposta deixou-me um pouco confuso. Na parte em que respondes à Lady acabas por dizer que a minha parte até está dentro do contexto, mas fiquei sem preceber bem até que ponto tu achas mesmo que a coisa está MESMO dentro do contexto. Isto porque na resposta que me dás, e no restante da resposta que dás à Lady, focas-te no que vem a seguir, e no que isso pode dar, e não tanto no que veio antes. Se pudesses esclarecer mais um pouco...

A não ser que a coisa fique assim, envolta em meio mistério, para adensar a curiosidade, e esperar até ao fim apra fazer as revelações.

Vítor disse...

Ó pessoal, desculpem lá a ausência, mas os finais das semanas são sempre mais complicados e este em particular.
Estou demasiado cansado para escrever a minha parte agora. Até estou demasiado cansado para argumentar na questão em debate. Além de que não me sinto muito à vontade para opinar imediatamente antes de escrever eu próprio. Amanhã depois de dormir trato disso.

Beijos e abraços (para quem quiser e para quem não)

Lady Godiva disse...

Rute:
Desculpa lá ter dito que estava "ansiosa para levar nas orelhas". Claro que para esperar por isso até se arranja todo o tempo e toda a "paciência" do mundo...

Mas, afinal, onde é que o Aníbal responde às minhas perguntas (és tu que afirmas que ele responde). Será que já tiveste acesso ao comentário dele e o tens aí guardado? Estou a ver que corro o risco de a explicação dele (com respostas às minhas perguntas) aparecer antes desta minha "refilice", mas a verdade é que, agora que a escrevo, não vejo por aqui nada que se assemelhe àquilo que referes.

Cá estou pacientemente, todavia, e devo dizer que acho que o Aníbal podia ter respondido directamente e pronto. É que assim estamos a arranjar uma polémica à volta de um assunto que rapidamente se discutiria.

Depois não venham dizer que sou só eu a picuinhas (que sou, claro)...

Eu ainda nem tinha comentado nada a respeito da história e respectivas sequências. Mas até pensei que o pudesse fazer sem problemas, pois já me cruzara com algumas opiniões. Será que o Aníbal se picou porque eu não disse que 'adorei' (não, nesta hipótese não acredito)? Ou terá sido porque, em vez de generalizar, particularizei? Ou porque perguntei, em vez de só afirmar?

Ora, ora, não façam de um alho uma alhada!

Estou eu aqui ansiosa para saber a continuação da história e agora nem respostas nem continuação!
Mas vocês que a escrevem lá saberão... Querem dar-me assim tanta importância por uma coisa de nada?!...

Rute disse...

Aníbal e Lady

Mau Maria! Vocês os dois às vezes gostam de complicar, oh se gostam!!!
Menina Lady
Eu não disse que o Aníbal responde às tuas perguntas, eu disse, e passo a citar:"Acho que o que(eu) disse ao Aníbal também responde às questões colocadas por ti". Ou seja, o que eu quis dizer foi que fui respondendo aos dois em simultâneo.
Menino Aníbal, eu não me contradisse na resposta que te dei ontem, eu disse, e passo a citar :"Estando a história em plena construção, ainda tudo é possível e tudo é permitido..." Também disse à Lady que o teu contributo está dentro do contexto e que em relação à sequência ou não em relação à parte dela, só o tempo o dirá, ou seja terá a ver com o que será escrito a seguir. Em jeito de conclusão: Estar dentro do contexto não é a mesma coisa que ter uma sequência adequada.
Alô aos dois, está tudo a decorrer dentro da mais perfeita normalidade

1 beijinho para cada um

Aníbal Meireles disse...

Rute: pois, eu percebi o que tu disseste à primeira. E continuo a achar o mesmo.

Vou tentar formular o que eu acho que tu estás a dizer:

Tu achas que a minha parte está dentro do contexto, mas por enquanto, tendo apenas as partes já publicadas, não achas que haja grande sequência adequada, certo ?

Eu acho, aliás, sei, porque fui eu que escrevi LOL, que está dentro da sequência, mesmo sem saber as outras partes que virão. E mais não digo.

A não ser que tenha lido tudo mal e tenha pegado pela ponta errada. Mas acho (agora sim, apenas acho) que não.

Lady Godiva disse...

Rute:
Venho pedir desculpa pela parte em que me precipitei, porque, em vez de ter lido 'ao', li 'o', o que, a ser assim, mudaria completamente o sentido. Lamento sinceramente ter-me enganado. Tens toda a razão.

Já quanto à questão concreta de o teu discurso para o Aníbal servir para responder às minhas questões, não posso concordar. São questões tão objectivas e individualizadas... Onde é que estão as respostas?

E aproveito para me dirigir a ti,

Aníbal:
Não me importo nada de explicar melhor, mas, como vês, fiquei com algumas dúvidas que coloquei e não vi esclarecidas. Se me esclarecerem, talvez a minha explicação não venha a ser a que agora daria. Reservo-me, portanto, o direito de me sentir mais informada. E tu ainda não disseste: "Não, Lady, agora não posso responder-te a nada disso. Tem paciência, mas aguarda." Mas, se quiseres, diz, pois, se o fizeres, eu respeitarei essa tua vontade sem mais questões.
Ainda estou é à espera do tal "rascunho" que para aí tens. Talvez ele seja esclarecedor e, depois de o ler, eu já me sinta à vontade para mais explicações.

Inté

Beijos

Rute disse...

Meus amigos Aníbal e Lady

Haveis-me vencido pelo cansaço...!!!
Aguardo ansiosamente o prosseguimento da nossa "História de Encantar". Por favor, não deixem que a vontade de escrever esmoreça :D

Beijinhos

Vítor
Espero que já estejas mais descansado e repousado para que possas aparecer em breve

1 beijinho

Margarida Faro disse...

Rute,
deixa-me lá falar ao Meireles. Estive a ler a "novela" em que isto se tornou e reparei que ele pediu a minha opinião.

Meireles:
Tentando não alongar muito a questão, a minha opinião é a de que cada coautor desta obra, uma vez que não a discute previamente com os restantes, no respeitante ao teor do seu contributo, e que (na fase em que a mesma se encontra) não voltará a contribuir para ela, deveria acautelar uma inteligibilidade mínima do seu quinhão, pois nada lhe garante que os contadores seguintes queiram ou consigam dar a tal volta, que garantes vir oferecer à história um sentido sequencialmente apreensível.

Confesso que não percebo 'sequência' ou "continuação" (como já foi referido) da tua parte em relação à minha, mas não quero senão esperar, que me parece que isto já vai para lá do razoável... Ou melhor, até a polémica está a tornar-se surrealista!

Aguardando, portanto.

Aníbal Meireles disse...

Rute, uma palavrinha à Lady (espero não te cansar com isto Rute):

Eu gostava mesmo que tu me disseses qual é afinal a tua dúvida, mas aproveito para responder às perguntas que tu formulaste:

1. "Quem é este príncipe?" - Zé Pedro

2. "Quem é esta amada?" - D. Leonor

3. "E estes reis que voltaram?
São pais de D. Leonor? Ou são pais do príncipe?"

-A tua interrogação inicial responde às duas seguintes. Quem introduziu os reis fui eu. Se voltaram pela minha mão, porque não haveriam de ser os mesmos ? Encontras na minha parte algo que diga o contrário ? A Margarida nunca disse em lado algum que os reis eram pais de D. Leonor. Aliás, isso iria requerer um mudança drástica na história. A não ser que fossem outros reis, vindos sabe-se lá de onde, o que iria requerer da parte da Margaridaa um mínimo de explicação. Como ela não o fez, os reis são os mesmos, pais do príncipe, a quem a Margarida pela primeira vez deu o nome de Zé Pedro. Ou há aqui alguma coisa subentendida assim muit lá no fundo ? A Margarida é que pode explicar.

4. "Ou será melhor perguntar quem é esta D. Leonor?"

- Não percebo esta pergunta. Já está respondido lá em cima. A D. Leonor foi introduzida pela Margarida, mantém-se igual.


5. "Se cada uma das vossas contribuições para este "romance" fosse considerada uma sequência narrativa e todas elas estivessem baralhadas (tipo puzzle), por mais surrealista, kafkiana ou coisa que o valha que seja a acção da história (?), todos concordariam em colocar esta peça a seguir à da Margarida? Reconhecem SEQUÊNCIA entre uma e outra?"

Esta pergunta está muito bem feita. E é aqui que eu me detenho.

Eu gostava mesmo que lesses a história outra vez para veres a sequência.

Não quero dizer mais, pronto, estou à espera para vero que o Vítor diz e escreve. Afinal ele vai pegar onde eu deixei. Ou não! Lol

Vítor disse...

Vamos lá a ver...
Eu não queria meter-me na questão da coerência ou da coesão textual dos dois últimos fragmentos do 'cadáver' que estamos a construir, porque está na minha vez de avançar com uma continuação, mas quer-me parecer que as partes da querela, principalmente o AM e a LG, deixando avolumar alguns equívocos, foram perdendo alguma objectividade na discussão.
Penso - corrijam-me se estou enganado! - que tudo começou quando a LG perguntou quem eram algumas das personagens que no texto do AM surgiam, aparentemente pela primeira vez, questionando ainda o "auditório" sobre a pertinência desta sequencialização.

Começo por dizer que, num exercício deste género, de pendor (pseudo)surrealista, a coerência é um dos factores menos importantes, embora tenha de se assegurar um mínimo de fio narrativo que permita coser os retalhos. A LG tem alguma razão quando afirma que as peças do puzzle não encaixam na perfeição nesta última colagem, pois a confusão é gerada logo no início do retalho do AM quando ele refere "os reis", que na sua versão são pais do príncipe, imediatamente na sequência de o retalho da MF terminar com "os pais", que na sua versão também são reis mas pais da D. Leonor.
A LG notou alguma incongruência nesta passagem de testemunho, mas esqueceu-se (ou não reparou) de que a grande alteração foi introduzida pela MF, pois, até aí o príncipe era o príncipe, os criados foram ganhando contornos mais definidos mas continuaram a ser criados e responsáveis pela educação do príncipe na ausência dos reis, pais do primeiro. Foram aparecendo outras personagens, que se forma encaixando, como a sereia, mas - até ao excerto da MF - ninguém tinha ainda invertido a polaridade da coisa. A MF fê-lo muito bem, "arrumando" toda a história anterior no saco de um sonho: o Zé Pedro era, na realidade, um pintor plebeu e só no sonho aparecia como um príncipe confinado às muralhas de uma castelo. Na altura, comentei e até fui compará-la com outras Leonores. É claro que, se a MF teve a liberdade de introduzir um grande desvio na linha narrativa, també aos outros não pode ser negada essa mesma liberdade. o AM voltou a pôr o príncipe como personagem principal, mas não desfez o artifício da MF - o sonho. Daí a sensação que a LG teve de falta de sequencialização.
Mas volto a dizer: isto não precisa de ter coerência como um texto "normal". Essa coisa de termos um texto 'fragmentado' e 'baralhado' (e destaco a utilização dos particípios passados dos verbos e não a dos adjectivos), com a intenção de o (re)colar é um exercício que fazemos com textos coesos que são cortados para o efeito. Aqui temos uma génese colectiva, logo necessariamente diversa, pelo que - a não ser com muitos acertos e negociações - o resultado será sempre menos coeso e menos coerente.

O problema grande agora é continuar a coisa, não é?
Vou tentar, mas ainda pode demorar um pouco. Desculpem-me o atraso.

Vítor disse...

(A continuação possível)

Nesse momento, Calíope acordou do sono profundo em que se deixara cair, estendida no seu etéreo coxim, e apercebeu-se de que, por acção do tórrido calor que se fazia sentir na Trácia, duas das suas tabuinhas de cera se haviam fundido, dando lugar à confluência e à aglutinação de duas histórias. Com extremo cuidado, pegou no estilete e pacientemente foi separando as ceras das duas tábuas, tarefa que apenas se tornou um pouco menos árdua por aquelas massas terem sido produzidas por diferentes estirpes de operárias ceríferas, o que lhes dava tonalidades ligeiramente diferentes.
Enquanto executava esta delicada operação, questionava-se sobre as consequências deste seu lamentável descuido. Teriam os sempre ávidos leitores começado já a ler estes dois enredos, ainda inéditos porque ao seu cuidado? O que fazer agora? Não é permitido, nem às musas, modificar a vida já vivida. Terminada a cisão, estava tomada a decisão. Continuar uma e outra, alternadamente, até poderem de novo encontrar-se e, então, efectivamente, fundir-se.

Sentado no mocho e encantado no vértice do seu quarto em que havia sido recortada, na muralha do torreão, uma fenestra ogival, o príncipe observava a paisagem que se estendia verde e parda até ao longínquo mas nitidamente visível mar, que lhe limitava a linha do horizonte.
Nunca tinha estado mais próximo do mar do que isto. E era lá que sabia estar a sereia que o encantara tantas vezes noutro vértice das suas câmaras. Por que razão estava ele confinado aos muros daquele castro? Nunca lho haviam claramente explicado. Nunca o tinha inequivocamente percebido. Também nunca o tinha verdadeiramente limitado até ter começado a desejar estar perto da sua sereia. Ela, em sonhos, podia vir até ele, acariciar-lhe os cabelos e beijar-lhe os lábios, deixando-lhe um aroma forte e perfumado a envolvê-lo durante algumas horas, até se dissipar e dele apenas restarem umas gotículas na memória. Mas a ele não era permitido sequer aproximar-se um pouco que fosse dela. O príncipe nunca poderia visitar a sereia no seu mundo, sem colocar em risco a própria vida dela.

Aníbal Meireles disse...

Vítor, Margarida, Lady, Rute, e todos os envolvidos na história:

Vou revelar o sentido da minha parte.

Vítor, tens toda a razão, perdemo-nos em discussão que não levou a lado algum; eu assumo as minhas culpas, até porque dei azo a metade da coisa, e depois perpetuei a dita ao não explicar.

Tens razão numa coisa fundamental: quem deu a grande volta à história foi a Margarida, ao colocar tudo dentro de um sonho, transformando o príncipe em plebeu e dando-lhe um nome - Zé Pedro.

Por outro lado, não vi em lado algum qualquer referência para poder retirar a conclusão a que chegaste, quando dizes que os reis na versão da Margarida são pais da D. Leonor.

Diz a MF que o Dr. Nobre Feyo fora instruído pela família real, mas em lado algum se faz a ligação directa entre os pais de D. Leonor e a família real, e nomeadamente a família real do prícipe. Se alargarmos o escopo, podemos ver que pode haver mais do que uma família real envolvida na história.

Por outro lado, quando Zé Pedro atende o telefone, diz-se que cumpre as instruções que recebera dos reis, mas isto em nada implica que os reis aqui referidos não são pais dele.

Mais à frente, a MF diz: "Foi uma história de encantar aquela que os dois foram vivendo, até declararem aos pais da princesa a intenção de se unirem."

Aqui sim, faz-se uma alusão aos pais da princesa, mas eu pergunto: serão os mesmos reis que eu introduzi na história ?

Em lado algum a MF dá resposta a isto.

E agora vou dizer o que tentei fazer: dizes Vítor e muito bem, que a MF introduziu um grande desvio na narrativa

""arrumando" toda a história anterior no saco de um sonho: o Zé Pedro era, na realidade, um pintor plebeu e só no sonho aparecia como um príncipe confinado às muralhas de uma castelo."

Mas depois dizes que "o AM voltou a pôr o príncipe como personagem principal, mas não desfez o artifício da MF - o sonho."

E é aqui que eu entro com a minha explicação: eu desfiz o artificio do sonho.

Vejamos:

1. repesco os reis como pais do Zé Pedro;

2. Refiro-me à tua seringueira híbrida;

3. Revisito a sereia da Clarice e insiro-a numa actividade artística;

4.E finalmente, aproveito o nome de Zé Pedro, que MF primeiro nomeou, e a amada, D. Leonor, e dou a entender que aquilo que D. Leonor achava ser um sonho, era mesmo a realidade, fruto dos remédios receitados pelo psicólogo.

Vejamos: os néons na torre sineira, são afinal uma experiência que correu mal ao mago, são pirilampos que iluminam a torre; e não há telemóveis na história, o "Suzokiatel E 09, da última geração", afinal são os guardas do príncipe - "noventa Eletaikozus" lidos de trás para a frente dá "Suzokiatel E 09", que permitem justamente a comunicação entre ambos, como descrevo - são guardas e mensageiros.

De resto, a minha parte da história não é mais do que um recontar paralelo da parte da MF, reinterpretando-a. É certo que não a recontei até ao fim. Dexei a D. Leonor à porta do Zé Pedro e não levei a conversa até ao ponto em que ele diria o que já estaria decidido, face à chantagem do Dias Loureiro, mas parti do pressuposto que isso era eventualmente percebido por que ia ler, até porque em tudo o resto a história é uma espécie de "paralelo reinterpretado" do que a MF contou.

Faz sentido agora que revelei os pormenores e argumentei para explicar a possibilidade de haver duas famílias reais envolvidas ?

Digam de vossa justiça!

Lady Godiva disse...

Lamento profundamente que não me tenham respondido quando pedi!

Aníbal Meireles disse...

E agora que respondi que dizes lady ?

Rute disse...

Olá pessoal

'Gandas' malucos!!!
As coisas que para aqui vão!
Gosto de vos ver esgrimir argumentos porque todos têm excelentes dotes para tal e fazem-no com grande perícia.
Já eu não tenho capacidade para tal, mas tenho-me deliciado a ler as vossas questões e até tenho aprendido algumas coisas convosco.
Quanto à História em si, avançou mais um pedaço,o que é excelente, tendo em conta as acaloradas questões que tem levantado a sua elaboração.

Vítor: Obridada pela tua contribuição. Prognósticos, só no final do jogo... :D

Clarice:
Agora é contigo. Vê lá o que é que me arranjas já perto do final...

Beijinhos para TODOS

Margarida Faro disse...

A todos, particularizando:

Meireles,

Em primeiro lugar, aconselho-te a ofereceres (a quem tos pedir) os esclarecimentos em tempo útil. O "avolumar de alguns equívocos", de que fala o Vítor, teria sido evitado se assim tivesses procedido.

Em segundo lugar, penso que te aconteceu uma distracção que te fez encaminhar a história para um rumo de incoerência relativamente ao que estava para trás: não reparaste na palavra 'PLEBEU'. Só mesmo ignorando-a, alguém responderia "Zé Pedro" à pergunta "Quem é este príncipe?"

Se tivesses interiorizado que Zé Pedro era um plebeu, pintor de rua, apaixonado por D. Leonor, ela, sim, princesa, filha de uns reis presentes, os quais não aprovam o seu casamento com Zé Pedro, custa-me a crer que tivesses escrito o que escreveste.

Vítor,

Onde é que eu já "vi" um "filme" assim?!...

Parabéns pela introdução da musa, que, de facto, te inspirou para a resolução da querela. Tu és mesmo um daqueles "contadores seguintes" que conseguem "dar a tal volta"... Brilhante!

Quanto à tua argumentação relativamente à coerência ou à coesão textual dos fragmentos polémicos, devo dizer-te que, aguardando a tua intervenção, contava com um discurso menos generalizante e mais explicativo, que revelasse, por exemplo:

* onde está, concretamente, a falta de "objectividade na discussão";

* se "A LG tem alguma razão", qual é a parte em que não a tem;

* o que é que te leva a dizer que a LG se esqueceu "(ou não reparou) que a grande alteração foi introduzida pela MF [eu]".

A questão da "anormalidade" deste texto, por ser de "génese colectiva", não me levaria necessariamente ao surrealismo, mas, mesmo que para lá ele se tenha encaminhado, como penso que a falta de sequencialização não é apanágio dos textos (narrativos) surrealistas (a expressão da loucura, do sonho, da imaginação, do humor, da realidade subconsciente... não me parece implicar a existência de fragmentos desconexos), eu não legitimaria a posição do retalho do AM a seguir à minha - por apresentar incoerência relativamente a ela.

A "liberdade" - de que falas - para se introduzir "um grande desvio na linha narrativa" (com a qual eu, obviamente, concordo) tem de ser gerida dentro de alguns limites. Eu diria que também aqui se aplica a máxima "A liberdade de uns termina onde começa a dos outros".

Curiosamente, penso que a minha introdução do universo onírico na história ter-lhe-á conferido mais surrealismo do que o desvio (por engano) do AM, desvio esse que precisou da intervenção de um mestre (tu), que se lembrou de Calíope, que veio, por um lado, resolver contendas, e, por outro, dar sentido (explicitado no relato das consequências do seu sono) à existência de "duas histórias" (és tu que o afirmas!).

Inté
com beijos e tudo

Rute disse...

Margarida:

O Surrealismo dá liberdade a desconexões de todo o género. Como tu mesma referiste ele pode ser, por exemplo a "expressão da loucura" e esta pode trazer qualquer tipo de alterações, interrupções, cortes, acrescentos ou seja lá o que for a uma história.
No Surrealismo não existem limites na sua forma de expressão, este Movimento tem no "Absurdo" a sua característica número um.
No entanto penso que a nossa história não é genuinamente surrealista, porque tem um fio condutor, ainda que por vezes ténue :)... . Não te esqueças que não foram combinadas regras narrativas ou qualquer outro tipo de regras. O desafio foi apenas, " Vamos escrever uma História de Encantar", para a qual cada um de nós deverá dar a sua contribuição da forma que melhor entender. Já vimos que cada qual tem uma forma muito pessoal e sui generis de o fazer! Mas para mim, é aí exactamente que reside o factor mais aliciante de toda esta brincadeira. :D

Será que não haverá algures, alguém que concorde comigo???

Beijinhos para ti e para os restantes Contadores de Histórias

Margarida Faro disse...

Rute:
Se não houver fio condutor, não há 'história'; poderá é haver 'histórias'!!!

Rute disse...

Margarida

... mas eu disse que tinha um fio condutor, ainda que ténue... ainda assim, um fio condutor...

;) :D :) Bjinho

Aníbal Meireles disse...

Rute, posso responder à Margarida ? Obrigado. Desculpa, vai ser longo.

Margarida, admito que podia ter acabado com a questão muito antes. Porém, tendo em conta aquilo que eu já disse, e também o que o Vítor disse, digo-te sinceramente que estou estupefacto com o que acabas de dizer.

Tenho pena que não tenhas tido intervenção quando na altura disse que gostava que os outros se pronunciassem e logo depois, num comentário a seguir, te interpelei, uma vez que eras a minha antecessora, de modo a podermos em conjunto responder às questões da Lady. Porém, quando 'reparaste' nada acrescentaste ao que a Lady já havia dito. Esperava mais. Eu esperava apenas ter de esclarecer a minha narrativa se ela não fosse entendida pelos demais. Dizer que não tem sequência é, no mínimo vago. E eu pedi para me explicarem isso melhor.

"Lady, achas que a minha parte não vem na sequência da da Margarida ? Explica lá isso um pouco melhor. Se quiseres, claro."
e
"Mas já agora gostava que a Margarida, que escreveu a parte que antecede, se pronunciasse. E todos os outros!"

Eu fiz a minha parte com intenção de ter sequência, não entrei em desalinho propositado para criar um missão impossível. E como deves calcular é muito mais fácil a quem está de fora apontar a questão concreta que afecta, na sua opinião, a sequência, do que eu estar a adivinhar onde está o problema de interpretação de quem lê.
Posso fazê-lo tentando adivinhar o que vai na cabeça de quem lê, mas só isso. Podia em alternativa ter esmiuçado a história de uma ponta à outra mas isso, além de fastidioso, iria retirar algum do 'encanto' à história, porque quem viesse a seguir ficaria eventualmente condicionado por isso. Portanto, eu apenas iria explicar o que me fosse objectivamente perguntado, de modo a evitar um problema grave. Assim que vi que o meu sucessor também não tinha percebido, agi imediatamente.

Ora, tu e a Lady quiseram por vossa parte que eu me explicasse melhor, e na sequência disso, até eventualmente mudar a opinião que tinham e que não revelaram!

Lady: "Não me importo nada de explicar melhor, mas, como vês, fiquei com algumas dúvidas que coloquei e não vi esclarecidas. Se me esclarecerem, talvez a minha explicação não venha a ser a que agora daria. Reservo-me, portanto, o direito de me sentir mais informada."

Margarida: "Confesso que não percebo 'sequência' ou "continuação" (como já foi referido) da tua parte em relação à minha, mas não quero senão esperar (...)"


Mas qual é o problema ? Eu fiquei chateado com o Vítor por ele ter revelado a opinião dele ? Fiquei-lhe agradecido, isso sim, por finalmente ter alguém que se pronunciava sobre a questão da sequência e perceber finalmente o que se passava, pelo menos quanto a ele.

Confesso que tive uma grande dificuldade incial em perceber a tua história, porque ela sim, aparece quase completamente desgarrada do que estava para trás. Mas não me queixei. Voltei a ler. Li-a as vezes necessárias até perceber, ou pelo menos achar que a percebia. E como todos os que por aqui escrevem me merecem o meu respeito, respeitei todos os textos e dei-lhes a minha melhor atenção de modo a minimizar ao máximo qualquer falha de interpretação da minha parte. Só depois é que avancei para a minha parte. Se tivesse perguntas concretas a fazer, tê-las-ia feito.

O que a Lady e tu fizeram foi colocar questões a que eu respondi ainda antes de o Vítor escrever a parte dele, com excepção da parte que se referia à sequência.
Assim que eu vi a primeira pessoa a abordar a questão frontalmente, o Vítor, tratei imediatamente de esclarecer a questão.

E tanto assim foi que até enviei uma mensagem ao Vítor quando decidi explicar, ainda a parte dele não estava publicada. Por azar dos timings ele já tinha submetido a história à Rute uma hora antes, embora tanto a parte dele como o meu esclarecimento tenham sido publicados na mesma ocasião pela Rute. (Cont.)

Aníbal Meireles disse...

(Cont):
Vamos ver o fio narrativo e as personagens à medida que elas foram aparecendo e aproveito a deixa para comentar o que até agora foi escrito, em jeito de feedback aos autores:

1. A Rute "estendeu o tapete" para nós continuarmos, introduzindo o príncipe, a que não deu nome, o castelo, os criados, a cozinheira e o jardineiro e uma condicionante na vivência do príncipe que daria o mote para a continuação;

2. Eu tentei dar mais algum pano de fundo à história; continuei sem dar nome ao príncipe, mas introduzi as personagens dos reis, dei nome à cozinheira, introduzi a governanta, e introduzi a faceta de mago no jardineiro para explicar a "verdura" à volta do Castelo;

3. O Vítor desenvolveu a história sem lhe alterar os personagens, introduzindo elementos biográficos no personagem do mago, da cozinheira, mas acima de tudo introduzindo sim uma narrativa que eu não consigo descrever numa palavra, mas que mexeu com todos, por quiça, estar especialmente bem feita, com muitas referências e um apurado sentido de humor, até humor negro, com uma tirada final de colocar os cabelos em pé a quem viesse a seguir (e digo isto com a melhor das intenções);

4. A Clarice safou-se do 'encostanço narrativo à parede' (ou 'encostanço ao canto'?) de uma forma brilhante e muito airosa, introduzindo um patamar descritivo, das ideias, mágico, onírico talvez, dando consistência à sua teoria;

5. E a seguir entras tu. Vejamos: até aqui o príncipe não tinha nome. Não havia princesa alguma, apenas "o canto da voz de uma sereia" .
Tu, de rompante, introduzes um novo personagem . "D. Leonor". Quem é a personagem? Uma princesa, que forma um casal apaixonado com Zé Pedro.

Quem é Zé Pedro na tua parte da história ? Um plebeu. Mas é simultaneamente O (com 'O' grande) príncipe num sonho.

(Cont.)

Aníbal Meireles disse...

(Cont.)
Queres maior desvio na narrativa ? Isto permite-te enveredar por um caminho totalmente diferente, ao arrumar a história anterior a um canto e começar de novo, com recurso a apenas uma breve referência de conexão. E acusas-me de ter encaminhado a história para "um rumo de incoêrencia relativamente ao que estava para trás" ? Eu alguma vez disse o mesmo em relação à tua parte ?

Que eu saiba, e muito bem esteve a Rute, apesar das minhas provocações, em dizer (pelo menos foi o que eu entendi) que o sentido de uma parte da história não tem necessariamente de se conter em si mesmo - pode parecer incompleto, e até estar de facto incompleto, ou não fazer sentido sozinho, e a parte seguinte dar sentido à sequência anterior.

Há algum espanto nisto ? Isto é impossível desde quando ?


A minha provocação à Rute era no sentido de ela se pronuncar sobre o conteúdo da minha parte em relação à anterior. Porque eu fi-lo com sequência em relação a TODAS as anteriores, aliás, a não ser que o tivesse feito propositadamente ou por negligência seria de outra forma.
E não o fiz por negligência:

Quando me dizes "não reparaste na palavra 'PLEBEU'. Só mesmo ignorando-a, alguém responderia "Zé Pedro" à pergunta "Quem é este príncipe?""

Relembro, e volto a citar palavras tuas, porque és tu que fazes a ponte, para que não haja dúvidas:
"Agora, arrancada do descanso da noite por um pesadelo que TRANSFORMAVA O SEU AMADO ZÉ PEDRO EM PRÍNCIPE e o mantinha refém de uma mente transtornada por gente hedionda, como a cozinheira gorda e o jardineiro mago" (maiúsculas minhas)

Recapitulando: foste tu que fizeste a ponte entre a história que a Rute começou, eu desenvolvi, e o Vítor deu seguimento e a Clarice embelezou. Isto parece-me evidente e pacífico.

Como é que podes fazer a afirmação que fazes agora ?

Há, como disse o Vítor, um sonho aqui.

Mas quem disse que o sonho não possa ser efectivamente a realidade ? Ou seja, porque é que a tua realidade, que não existia antes, não há-de ser ela um sonho?

Porque é que eu hei-de ficar preso à tua versão da história ?

Porque é que eu tenho de 'interiorizar' que o "Zé Pedro era um plebeu, pintor de rua, apaixonado por D. Leonor, ela, sim, princesa, filha de uns reis presentes, os quais não aprovam o seu casamento com Zé Pedro"

Não ignorei a palavra "plebeu". Isto demonstra, e desculpa-me a observação, que não leste nada do que eu disse no comentário anterior.

Tu remetes a narrativa anterior para um sonho. Eu digo que a tua narrativa é que é um sonho, e volto a dar àquilo que na tua parte é apenas um sonho, a dimensão de realidade.

Desculpa, mas eu não tenho de interiorizar nada, o rumo que eu dei está explicado, a mim é que me custa que tu não aceites a rumo que eu voltei a dar à história, isto sem prejuízo de quem viesse a seguir voltasse a dar a volta ao contrário outra vez.

Admito, não quis esmiuçar desnecessariamente a história, queria ouvir os outros sobre o conteúdo, uma vez levantada a questão. Que me dissessem objectivamente o que estava a afectar a sequência.

Reitero: é mais fácil quem está de fora apontar exactamente o que não percebeu, do que eu andar a advinhar ou a explicar tudo ao milímetro.

Mas uma vez dada a explicação, não percebo a tua opinião.

Reafirmo, se leres a minha parte vais ver os paralelos: a oferta de dinheiro ao príncipe por parte dos reis para que este deixasse a princesa, a torre sineira com luzes (neons na tua, pirilampos reluzentes na minha), e o meio de comunicação entre os amados: telemóvel com um nome esquisito na tua e os guardas na minha, igualmente com nome esquisito (escrito de trás para a frente).

Margarida Faro disse...

Eu sei, Rute!
Mas...

1. Tem-no porque há quem tenha conseguido dar-lho, senão, a esta altura, já não tinha!

2. Das tuas afirmações infere-se que uma história, para ser "genuinamente surrealista", não pode ter um fio condutor - algo com o qual eu não posso concordar, uma vez que defendo que sem fio condutor não há sequer 'história'!

3. Quanto a 'texto surrealista', até apostaria numa livre associação de ideias, mas então não venham chamar-lhe 'história', não venham dizer que existe enredo...

4. Para ir na tua onda, só posso dizer que te agrada estarmos a tentar construir um 'texto'. Aquilo que defendes, no meu entendimento, exclui a palavra 'história'.

5. Sob este prisma e vincando as "colagens" (pouco ligando aos "remendos", porque esses apareceram para tentar enformar um enredo), posso dizer que temos um TEXTO surrealista, uma manta de vários tecidos, muito distintos e, por vezes, desconexos.

Resumindo:
Na minha perspectiva, não existem histórias surrealistas; textos sim, histórias não. Mas o texto de que falamos tem como título "HISTÓRIA de Encantar"...

Margarida Faro disse...

A todos:

Venho pedir desculpa por não perceber nada de técnicas narrativas e, por isso, ter contribuído para este mal-estar e este cansaço!

Rute disse...

Margarida

A mim não me provocaste mal-estar nenhum e cansaço também não, porque só li as "grandes questões" quando tinha cabeça para tal... .
Quanto a conhecimento de técnicas narrativas é óbvio que as conheces bem! Já eu não posso dizer o mesmo.

A Todos:

Em jeito de conclusão sobre esta polémica (pelo menos da minha parte, é claro), a ideia não era enveredarmos por uma via Académica! Não tinhamos combinados pré-requisitos nenhuns. "Chamei-lhe História de Encantar", mas a certa altura até disse que no final, muito provavelmente lhe teria de mudar o nome. Isso é um pormenor!
Penso que ninguém deveria " dar contas" a ninguém até a história terminar e cada qual teria de ter a paciência de esperar pelo fim! No meu caso pessoal teria até preferido, foi por esse motivo que não respondi a muitas questões e que disse que "prognósticos, só no fim do jogo". Aí sim, já poderíamos discutir o que nos aprouvesse, sem correr o risco de infuênciar o fluir da história. Aí sim, os que gostam de esmiúçar, esmiuçariam, os professores de português e outros afins, discutiriam regras de narração, de coerência, etc.Isso também é interessante e poderia dar origem a outro Post, quem sabe.
Acho que temos todos que aprender a "dar espaço" ao outro, neste caso aos outros, sob pena de o limitarmos a sua criatividade. Não soubemos fazer isto aqui, desculpem-me a franqueza... .

No entanto teria imensa pena se não terminassemos a nossa história, a sério que ficaria mesmo triste!!! Portanto, menina CLARICE, CLARICCEEE, vê lá se te chegas à frente

Beijinhos

Vítor disse...

Sábias palavras, amiga Rute!

Clarice disse...

O que para aqui vai... vou ler tudinho hoje ainda e amanhã prometo voltar com a escrita em dia!

Gostava de trazer Nenucos... hummmm mas ainda não sei, é que não me apetece agradar... ele há por aí quem goste de bonecada, se há!:)

Rute disse...

Clarice

Vais ler tudinho hoje???
Hi, hi, hi. Nem que fizesses uma "directa" conseguirias esse extraordinário feito! Por outro lado, ficarias tão exausta que amanhã não conseguirias conduzir até ao teu local de trabalho, o que te obrigaria a ter que chamar um Carro de Praça... :D

Beijinhos

Clarice disse...

Não sei se consigo hoje, desculpem!
É que ontem o meu telefone de plástico tocou e eu atendi...:)

Clarice disse...

(aqui vai o meu pedaço...)



E só um grande amor poderia sobreviver nos limites desenhados pela água e pela terra. De noite, a possibilidade de amar era clara pela vontade crescente dos desejos carnais, mas de dia, o mar erguia na luz a mais dolorosa barreira de uma possível aproximação, e era às claras que o sofrimento terreiro matava a alma indefesa dos sentidos. A barreira crescente deste amor impossível era o verdadeiro desafio à morte, e mesmo pondo em risco a vida da sua amada, o príncipe teimou em exaltar a sua paixão, escrevendo músicas que prometera cantar. Todas as noites, no cimo daquela encosta, a voz do príncipe despia-se no corpo da sua amada. Nus, juravam em verso e prosa a possibilidade do amor, mas sem darem por tal, eram violentamente desafiados pelos olhares escondidos de Miranda e Maria Albertina, que da colina mais alta da praia espiavam o pecado invejando não o terem nunca vivido. As palavras cantadas descreviam o que as mãos desenhavam nos corpos deitados na areia, espaço neutro onde os amantes se entregavam escondidos e revelados às colinas da terra. O mar era o espelho onde as palavras musicadas abrigavam os corpos de quem, mesmo correndo o risco da morte, jamais temia o amor.
Sucederam-se os dias e as músicas, e os poemas impossíveis entre o mar e a terra, até que um dia… a dor feroz de quem não suportava assistir ao amor, fez com que Miranda e Maria Albertina interrompessem a musicalidade das palavras e com a ajuda do jardineiro, o mago do reino, silenciaram o mar, deixando apenas audível as pedras mais altas das colinas…

Aníbal Meireles disse...

Epá, 66 comentários na altura em que escrevo... deixa-me cá inserir mais um Rute, que isto pode ficar demoníaco em caso contrário. Pronto, eu sei, 66 não é igual a 666, nem 666 é tampouco o número do diabo como é crença comum, mas isto ainda há-de chegar aos 100 comentários!

Bom, e a história vai encaminhada, oh se vai. Estou para ver se o príncipe vai ter um final feliz a tocar Steel Pans em Trinidad :D

Aníbal Meireles disse...

Rute, tens razão. Da próxima delineamos se comentamos à medida que a coisa vai ou só no fim.

Quanto a mim, reconheço que não fui claro na minha parte. Por vezes é difícil quando se está embrenhado no argumento saber se o que escrevemos é acessível e se transmitimos ou não a mensagem ou se pelo menos a colocámos a um nível que seja inteligível/decifrável sem grandes problemas.

Quanto a mim, à MF e à LG, já decidimos que, para homenagear as nossas querelas literárias nos vamos oferecer caixas de bolachas "Prinz of Vienna" durante dois anos :D

Ah, e depois oferecemos a todos pela árdua tarefa de dar corpo e andamento a esta bela história de encantar/ou-outra-coisa-que-ainda não-sabemos-no-que-vai-dar!

Margarida Faro disse...

Aqui deixo mais um contributo para a NOSSA história. ^_^

As frias lajes de granito, verdadeiramente geladas naquela noite invernosa mas infernal, queimavam os pés nus de D. Leonor, que, incapaz de suportar em silêncio o seu sofrimento, acordou, com os seus gemidos, a sua aia, Sibila.

Adivinhando o que acontecera, Sibila apressou-se a detê-la e a acalmá-la, antes que se cumprisse o infortúnio de os reis ficarem a conhecer o conteúdo do sonho da princesa e, por isso, a obrigassem a cativeiro.

Sibila, famosa pelos seus poderes de previsão do futuro, fora escolhida, no reino vizinho, pelos monarcas de Certas Dores, para dama de companhia e controlo de todos os passos de D. Leonor. E Sibila era fiel ao pacto feito com os reis, o qual incluía a protecção absoluta de um segredo mantido entre as duas famílias reais dos dois reinos contíguos.

Desta feita, porém, Sibila soube que nenhuma força havia de conseguir deter a impetuosidade da princesa, pressentiu que o amor da sua menina por Zé Pedro lhe acendia todas as luzes inspiradoras, oferecendo-lhe o ânimo necessário a vencer qualquer guerra que lhe declarassem para que se afastasse do seu amado.

Não precisando de pensar por muito tempo, Sibila apresentou-se nos aposentos de D. Leonor, que, de novo descansava serenamente - por acção das calmantes palavras da sua aia -, e, carinhosamente, acordou-a, para lhe contar uma história.

- Era uma vez - começou, segura de estar a praticar um acto de caridade - três pequenos seres que viviam aconchegados no ventre de sua mãe, sem que ninguém desconfiasse sequer da existência de mais do que um deles nesse meio aquoso favorável ao bem-estar físico e psicológico, o qual, naquele tempo, era ainda insondável pelos de fora.

Seus pais eram reis do próspero reino de Terra do Nunca, no qual a população admirava os seus soberanos e, por aquela altura, aguardava com ansiedade a chegada do príncipe, que seria herdeiro do trono.

Um dia, por alturas do sol poente, que, como de costume, pintava a vidraça dos aposentos reais com tons de encandear e enfeitiçar, sentiu a rainha a chegada da hora da separação física do seu fruto e mandou chamar a médica parteira, que acorreu ao palácio na sua maior aceleração de sempre, por entre as numerosas filas de trânsito que teve de vencer até muito próximo das imediações do paço real. Bendita Vespa, que em boa hora adquirira, para poder furar as horas de ponta.

O rei, ausente, numa visita de estado, não pôde partilhar o momento com a sua consorte e foi Benvinda, a parteira veloz, quem, depois de se assegurar de que se munira de todos os apetrechos e todas as condições necessárias ao sucesso da vinda ao mundo do novo príncipe, ajudou, sozinha, os três pequenos seres a deslizarem do ventre da mãe até às suas mãos, uma e outra vez espantadas pela tripla dádiva divina.
A rainha dera à luz dois rapazes idênticos e uma menina.

Maravilhadas, as duas mulheres beijaram-se emocionadamente, mas, depressa se aperceberam de que havia algo mais a fazer. E, de modo atrapalhado mas com o respeito que a rainha lhe merecia, Benvinda lembrou sua alteza real de que, neste vizinho reino de Certas Dores, a rainha, sua amiga, há vários anos tentava engravidar, sem, contudo, ter ainda conseguido essa alegria, para si mesma, para o seu rei, para o seu povo. E atreveu-se ainda a insinuar que ela própria, Benvinda, mulher avessa a homens, gostaria de criar uma criança como seu filho.

Cansada dos três partos consecutivos, naquele tempo realizados sem qualquer anestesia, a rainha, com um dos rapazes ao colo, olhou para o berço onde havia sido deitada a menina - a primeira a nascer - e declarou a Benvinda:

- Esse meu filho, que tens tu nos braços, será, de agora em diante, o teu filho, a quem tu darás um nome; a menina chamar-se-á Leonor e será entregue aos cuidados daqueles que hão-se ser meus compadres, os reis de Certas Dores. Este é o meu príncipe, D. Duarte.

Rute disse...

Olá pessoal

A nossa saga aproxima-se a largos passos do fim! Tem sido uma experiência muito divertida e muitas vezes surpreendente. Agora só falta a minha conclusão, tarefa muito complicada, esta que me calhou! Já estou a pensar nela e até já rabisquei qualquer coisa, mas infelizmente não vou conseguir publicá-la hoje. Prometo que vou tentar faze-lo amanhã.

Aníbal,Margarida e Lady:
Fico à espera das caixas de bolachas... D:

Vítor disse...

É pena a coisa estar quase a acabar, agora que, com este enredo queirosiano que a Margarida trouxe, estava a aquecer, mas, decerto, pensaremos um dia destes numa qualquer sequela.
Venha de lá a conclusão, estimada anfitriã.
Beijos para todos

Rute disse...

Vítor

Tens razão, cheguei a pensar em pôr a Maria Eduarda ao barulho... Mas não, arrepiei caminho e a verdade é que nem tempo consegui arranjar para fazer a minha parte. Desde já, deixo aqui as minhas desculpas a todos.
Agora só para a semana, porque amanhã rumo ao Sul, na esperança de por lá encontrar um pedaço de Sol e temperar o corpo com muito Sal do mar ;D .

1 beijinho

Margarida Faro disse...

Sinto a falta do fim da história, Rute.
Vá lá, não a deixes assim!

Toma lá uma aragem de alento...

Margarida Faro disse...

We want the end of the story and we want it now!
;]

Rute disse...

Olá Margarida e resto do pessoal

Peço muitas desculpas por ainda não ter terminado a história, mas a verdade é que ainda não tive tempo. A tarefa também não é nada fácil! Nunca mais fico com a conclusão...

Agora a parte boa: Afinal já escrevi o final :D . Mas está num papel e hoje já não tenho coragem para o passar para aqui devido ao adiantado da hora. Amanhã, se calhar, também não devo arranjar tempo, mas prometo que não passa do fim-de-semana. ;D

Já tenho saudades de todos, por isso muitos beijinhos