terça-feira, 21 de junho de 2011


" É verdade que muita coisa passou sem nós sabermos
mas tudo isso que importa se de longe nos vem
...o eco de um destino que é preciso cumprir
a urgência de um barco
atracado há quanto tempo ao cais
esperando o vento certo
então
pela minha pele desliza a tua boca
o rosto as mãos a fome
e pára apenas quando a sede te for
insuportável
bebe-me depois muito lentamente
como orvalho sangue ou seiva
dobra nas minhas pernas o cabo
de todas as tormentas (ou se preferires
de todas as esperanças)
e crava no meu ventre os ritos ancestrais do amor
que para mim sempre estiveram
destinados"

Alice Vieira

9 comentários :

João Menéres disse...

Etou sem tempo para a blogosfera, RUTE.
Não sei como dobrar este novo Cabo das Tormentas
( ou da Boa Esperança ? ) !...

Um beijo.

ruimnm disse...

quentes palavras refrescadas pelas ondas do atlântico.

Clarice disse...

Nunca tinha lido este "momento" da Alice Vieira...e olha que fiquei impressionada!:)

*tão forte como a rebentação de uma onda... que o teu olhar aqui traduz...

beijinho

Remus disse...

Estas palavras deviam ser a sinalética correspondente a: "As seguintes palavras podem conter menções impróprias para pessoas de bem e castas".
:-)

O que vale é que podemos ver o mar e sentir a brisa da maresia na cara. Porque senão, não sei onde isto ia parar...
:-) :-)

Rute disse...

João

Aposto no Cabo da Boa Esperança...tenho a certeza que andam por essas bandas muitos projectos a ganhar forma e daí a falta de tempo para 'nós' daqui...;).E isso é muito bom sinal!

Mas já sabe que gosto sempre muito de o ver por cá...

1 beijo:)

Rute disse...

ruimnm

Boa perspectiva da coisa;)

1 beijo:)

Rute disse...

Clarice

...e ainda há muita coisa que tu não 'vistes', menina Clarice;)

bjinhos, muitos

Rute disse...

Remus

em caso de necessidade podemos sempre dar um mergulho 'nas ondas do atlântico', como diz o ruimnm;).

1 beijo:)

Helder Ferreira disse...

Os desejos, ai os desejos... :))))