sábado, 11 de abril de 2009

Efémeros, fugazes são os momentos de intenso prazer
os olhares profundos
os abraços apertados até doer
os beijos que começam leves e terminam sequiosos, doridos
os odores inebriantes de um tempo já perdido
as mãos que se entrelaçam na esperança da eternidade
as lágrimas que escorrem pelo rosto depois de dar à luz um filho
as gargalhadas incontroláveis num encontro de amigas de sempre

Efémeras e belíssimas são as marés vivas de Setembro
o ruído agitado e cinzento do mar, em Novembro
as papoilas que salpicam de vermelho os campos verdes

Efémeros e inebriantes são os nossos grandes momentos,
efémeros e imortais, fugazes mas plenos.

4 comentários :

Vítor disse...

Efémeros serão eles todos, mas, se muitas vezes repetidos, serão tão presentes como um semáforo intermitente...

Margarida Faro disse...

Por mais efémeras que sejam as realidades efémeras de que te lembraste, é delas que é feita a nossa existência profunda, o nosso ser essencial, o âmago a descobrir em cada um de nós.

É atrás dessas efemeridades que eu corro... E corro porque sei que elas são esquivas, arredias. Há que reparar nelas, senti-las e escolher vivê-las.

Das rotinas implacáveis, dos movimentos incessantemente repetidos não rezam as almas - apenas o cansaço dos corpos e o esgotamento das mentes...

É do conjunto de todas as efemeridades (prazerosas ou, de qualquer forma, intensas) que se forma a plenitude do nosso ser, ou seja, são as nossas mais fugazes vivências que nos conduzem à eternidade...

Um beijo fugaz

Lady Godiva disse...

Olá, Rute!
Venho para te dizer que quando cá voltar quero ser uma efémera, pois só com consciência de uma curtíssima esperança de vida poderei aproveitar ao máximo cada momento que me for oferecido - sem pensar, de todo, em passado ou futuro, o que não posso fazer enquanto ser humano responsável pelas vidas de outros seres humanos!

P.S. Reparei que este teu post já deve ter conhecido várias efémeras (umas 4)!

Margarida Faro disse...

Tenho esperado por ti, Rute. Tenho desejado que apareças.
Queria que não fosse efémera a tua entrega a esta rodinha, mas vejo eternizar-se o teu texto do dia 11...
Se quiseres "companhia", apita. Terei todo o prazer.
Estou triste por teres aparecido e não teres continuado.
Diz qualquer coisa.

Um beijo saudoso