terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tenho Saudades dos meus Amigos




Tenho saudades de todos os meus amigos


Dos de sempre, dos de há pouco tempo
daqueles que ficaram pelo caminho
dos risonhos, dos calados
dos de todos os dias, dos de uma só vez no ano
dos que telefonam sempre
dos que telefonam uma vez por semana
dos que nunca telefonam
dos que mandam mensagens porque não gostam de falar
dos que não mandam mensagens porque preferem telefonar
dos que não dizem nada de todo
dos que riem a bandeiras despregadas
dos sisudos
dos que vivem aqui no prédio
dos que vivem três quarteirões à frente
dos que vivem noutra cidade
dos que vivem noutro país
dos que vivem noutro continente...
Tenho saudades daqueles com quem só conversei uma vez
daqueles com quem apenas troquei um sorriso
e com quem gostaria de ter partilhado mais
daqueles que nem me conhecem
mas que me tocaram
através de palavras escritas
de fotografias
e de outras manifestações


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

DEDUÇÃO




"Não acabarão nunca com o amor


nem as rusgas


nem a distância.


Está provado,


pensado,


verificado.


Aqui levanto solene


minha estrofe de mil dedos


e faço o juramento:


Amo


firme,


fiel


e verdadeiramente."


PARABÉNS, DOCE MARIA

Quero deixar-te aqui, minha linda Maria

um abraço muito apertadinho

Aqui, neste meu canto

para que possa eternizar-se o meu carinho

Lembrei-me de ti à meia-noite em ponto

do teu riso, dos teus olhos escuros e pele morena

Lembrar-me-ei de ti hoje pelos teus quinze anos

Lembrar-me-ei de ti sempre pela tua coragem e alegria


Muitos Parabéns, querida Maria :)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Os Teus Olhos


Os teus olhos faziam parar os meus de espanto
porque não acabavam ali onde eu os via

tinham Profundidade de Campo...

É verdade que tinham
por isso olhava-os ainda mais
procurando um sentido
uma explicação que não existia

Eram talvez um pedaço de alma
ou um pranto
eram um infinito de beleza
de encanto

Era nos teus olhos que eu repousava
porque neles havia o espaço que me faltava

Tinhas nos olhos as águas inteiras do mar
E foi por ali que eu um dia me fui deixando ficar

sem ter decidido, sem pensar
olhando apenas para o infinito do teu olhar






quarta-feira, 18 de agosto de 2010

" Mãe, sem ti eu era o Ar "


Pelo olhar da Clarice


E lá está ela em pé, frágil, quieta

quase Ar...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Férias à Vista


Vou fechar para descanso do pessoal


BOAS FÉRIAS e BOM DESCANSO

domingo, 11 de julho de 2010

Poesia de Ruy Belo

Foto de RUY BELO





Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam

Os pássaros fazem cantar as árvores
ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores

mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia

eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão, a inúmera mão?

eu passo e muda-se-me o coração



Ruy Belo, Obra Poética, Vol.1

Aí, o Senhor!

Para lá e para cá
para cá e para lá...
Olhar vazio, indiferente ao percurso
parece que vai sozinho, meu senhor!
No entanto o comboiozinho vai cheio
gentes e burburinho
risos, baldes, chapéus de sol e bonés
Reparou? viu alguém?
Não sei, vi que olhava para o lado
e eu, olhava para si

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fiapos de Água em Mim


Hoje chegou-me de mansinho
uma chuva miudinha
só minha
imperceptível
em fiapos de água fininhos
espalhou-se devagar
dentro de mim
fez-me rir e refrescar
Hoje não houve espaço
para mais ninguém entrar
Há dias assim
de calor abrasador
que não sinto chegar...










segunda-feira, 5 de julho de 2010

PARA A GUIDA PALHOTA

Esta é para ti, amiga


Porque sei que gostarias de ter lá estado

porque foi assim que a nossa amizade começou

porque me lembrei de ti várias vezes ao longo do dia

porque senti ali Deus sem o ter procurado

porque queria dar-te um pequeno presente

porque me apeteceu juntar-te a nós

porque simplesmente me apeteceu...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

... ... ...



Esta angústia
que me vai chegando
que permanece
muito para lá do vazio



Este nó na garganta
que se vai formando devagar
criando garras dentro de mim
que não me deixa respirar
que me arranha o peito
Falta-me o ar, o fôlego
o grito
Faltam-me as memórias
o riso
Falta-me o chão para rodar
dançar
E lá vem outra vez esta angústia
sem avisar

inquietação, desassossego
coração desritmado
quase parado
Deixo-me despertar
levanto-me amanhã, talvez
se disseres aquele poema
do teu olhar no meu

talvez assim venha a ser
se esta angústia não teimar



quarta-feira, 30 de junho de 2010

Corre filha, corre...



Corre filha, corre sempre
que eu estarei do lado de cá
à tua espera, de braços abertos
para receber o teu abraço, o teu sorriso
e as tuas lágrimas
Corre mais depressa, filha
corre!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Cartas de Amor - IV


Amor


Estou a escrever-te tarde, porque só agora consegui sentar-me um pouco a descansar da terrível azáfama da lida da casa.
O tempo parece pouco para tudo o que precisamos e queremos fazer!

Mas não quero nunca deixar acabar o dia sem te dizer o quanto gosto de ti, porque o mais importante na minha tão monótona vida, é a tua ternura e o teu amor.

Queria passar a noite toda a escrever-te, só para fingir que estou nos teus braços aninhada, num qualquer cantinho aquecido e confortável.

És a mais poderosa fonte de energia na minha vida,

és como o sol abrasador que surge no céu após meses seguidos de chuva ininterrupta.

E não penses que estou a escrever poesia amor,
estou a dizer-te que que aqueces diariamente o meu coração
que amanhece sempre frio.

Preenches o meu vazio, e mesmo sem palavras aconchegas-me no teu abraço forte e meigo.

Tens uns olhos belíssimos, de um preto impossível que me transportam constantemente para a paz de uma noite de Estio.
Tens umas mãos que me fazem estremecer de saudades e que relembro constantemente no seu percurso lento e sábio, deambulando ternamente pelos meus cabelos ondulados.

Sábias essas tuas mãos que não falham um gesto, num encadeamento sossegado, lento, perfeito...
Despeço-me de ti sempre com tristeza e já cheia de saudades!

sábado, 19 de junho de 2010

Cemitério de Âncoras

"Terra Estreita"
Que descansem em paz e que, apesar de imóveis, não deixem nunca de olhar em frente.
Também eu estou ancorada a este lugar e se me deixarem, um dia destes sento-me entre vocês e por aí me vou deixando ficar
ancorada no meu lugar



A Minha Praia III


Aqui, sempre com o mar à vista, também se pode celebrar o Natal
(Dezembro - 2009)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010

domingo, 13 de junho de 2010

Carta de amor - II


Meu Amor

Agora sei porque me arrepio mil vezes quando tocas nos fios do meu cabelo negro


Agora sei porque estremeço mil vezes quando os teus dedos finos acariciam o meu rosto regular e os teus olhos se detêm fixamente nos meus, azul no azul, mar adentro contra o meu peito que te deseja intensamente abrigar!


Arrepio-me e estremeço mil vezes, agora já sei, meu amor explicar.

Sabes tu que quando as tuas mãos delineiam as formas do meu corpo e o transformam em algo de belo.



Estremeço a primeira vez porque esse contacto da tua pele em mim me faz sucumbir num prazer imediato, estremeço depois , segunda vez, pelo espanto de me transformares do quase nada que era em algo que me transcende e supera!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cartas de Amor - I



    Amor, navegando nesse lindíssimo poema que é o teu olhar encontro pássaros a planar sobre as turbulentas águas onde nos detemos abraçados silenciosamente. Aninhados na paixão que nos sustem, fixamos com deslumbramento o rebentar das ondas contra a incompreensão de rochas, morros, escarpas e pessoas geladas. Aninho-me no teu abraço e deixo-me inebriar pelo toque da tua pele,
    pela delicadeza das tuas mãos ternas e sábias
    Deixo-me inebriar e abençoar pela fusão simbiótica das nossas almas
    que se fundem cada vez mais numa viagem de plenitude
    nunca antes empreendida.

    Somos também mar sereno, prateado, ao anoitecer, envoltos simplesmente
    em nós mesmos e surpreendidos pelo pleno renascer do amor diluído nas
    brumas de anos trilhados por diferentes caminhos.





    (Autor desconhecido)

    quinta-feira, 10 de junho de 2010

    Uma Aventura na Biblioteca


    Hoje deixei entrar 43 meninos na Biblioteca, no intervalo da manhã.

    Já sabia que o barulho ia ser muito mas, antecipando já as saudades que vou sentir deles, fui-os deixando entrar à medida que as suas cabeças assomavam à porta e perguntavam : " Posso entrar Rute?".

    Sempre com aquele sorriso e olhinhos a brilhar que me cativam e me desarmam...


    Hoje foi assim, não impus limites e deixei-os entrar porque, também eu precisava destas crianças, para me renovar e recuperar o meu brilho.


    Parei, pousei a caneta, só para ficar a olhá-los com atenção, para lhes sentir os risos e os movimentos ágeis.


    43 meninos que foram entrando e se distribuíram naturalmente pelos cantos e recantos da sala: uns jogavam, outros desenhavam, outros liam em voz alta numa pequena rodinha, outros ainda preferiram ajudar e arrumar os livros que vão regressando ao seu lugar nas prateleiras.


    Aqui todos os meninos são felizes porque, quando entram, deixam lá fora as dores de barriga, de cabeça, do crescimento e em alguns casos, aquelas provocadas pela dureza da vida, demasiado sofrida, demasiado pesada para a sua tão curta existência.


    E no entanto, lá estão eles, cheios de força e alegria inatas.

    Sou agradecida a estas crianças pela lição de vida que me dão a cada dia, pelo alento e pela magia!